Receita Viva · Disfunção erétil
Disfunção erétil: o que é, porque acontece e quando procurar um médico
A disfunção erétil é a dificuldade persistente em obter ou manter uma ereção suficiente para uma relação sexual satisfatória. A palavra importante é persistente: episódios isolados ligados a cansaço, álcool ou stress acontecem à maioria dos homens e não constituem doença. Fala-se de disfunção erétil quando a dificuldade se repete de forma consistente durante meses, sendo habitual usar um limiar de três a seis meses, e interfere com a vida do próprio ou do casal. É uma queixa comum e a frequência aumenta com a idade, embora não seja consequência inevitável de envelhecer. O ponto mais vezes ignorado é este: a ereção depende de vasos sanguíneos saudáveis, de nervos íntegros e de um equilíbrio hormonal razoável, pelo que a dificuldade erétil funciona muitas vezes como o primeiro sinal visível de um problema cardiovascular, metabólico ou hormonal que ainda não deu outros sintomas. Por isso a abordagem correta não começa por escolher um comprimido, mas por perceber o que está por trás. Nesta página explicamos como se distingue uma causa física de uma causa psicológica, que avaliação faz sentido, porque é que os medicamentos usados nesta área exigem receita médica em Portugal, e o que a Receita Viva pode e não pode fazer neste tema.
Causas físicas: porque é que a ereção depende do coração
A ereção é, em grande medida, um fenómeno vascular. Depende de as artérias do pénis relaxarem e permitirem um afluxo rápido de sangue, e de o mecanismo venoso reter esse sangue. As artérias penianas têm calibre pequeno, mais pequeno do que as coronárias, e por isso são das primeiras a manifestar a deterioração provocada pela aterosclerose. É esta a razão pela qual a disfunção erétil pode surgir anos antes de um evento cardiovascular e é encarada por cardiologistas e urologistas como um sinal de alerta que merece avaliação, e não apenas como um incómodo sexual. As situações que mais frequentemente estão por trás são a hipertensão arterial, a diabetes, a dislipidemia, a obesidade, o tabagismo e o sedentarismo. A diabetes acrescenta um segundo mecanismo, a lesão dos nervos periféricos, e por isso a dificuldade erétil aparece nestes doentes mais cedo e com maior frequência. Contam-se ainda causas hormonais, sobretudo o défice de testosterona, causas neurológicas como a esclerose múltipla, a doença de Parkinson ou lesões medulares, e causas locais como a doença de Peyronie ou sequelas de cirurgia pélvica e prostática. Há também um grupo importante de casos provocados por medicamentos: alguns anti-hipertensores, diuréticos, antidepressivos, antipsicóticos e fármacos usados na hiperplasia benigna da próstata e na alopecia. Nestes casos a solução passa por discutir a alternativa com o médico prescritor, nunca por suspender a medicação por iniciativa própria.
Causas psicológicas e como se distinguem das físicas
A componente psicológica está presente em muitos casos, isoladamente ou sobreposta a uma causa física. A ansiedade de desempenho é o exemplo mais claro: uma falha ocasional gera receio de nova falha, o receio ativa o sistema nervoso simpático, e essa ativação dificulta precisamente o relaxamento vascular de que a ereção depende. Cria-se um ciclo que se mantém sozinho, mesmo depois de o motivo inicial ter desaparecido. Depressão, perturbações de ansiedade, stress laboral prolongado, problemas de relação e consumo de álcool ou de outras substâncias completam o quadro das causas não orgânicas. Há indícios que ajudam a orientar, embora nenhum seja decisivo isoladamente. Uma causa predominantemente psicológica costuma ter início súbito, ligado a um acontecimento identificável, ser situacional, ou seja, surgir num contexto e não noutro, e manter as ereções espontâneas noturnas e matinais. Uma causa predominantemente orgânica instala-se de forma gradual ao longo de meses ou anos, é constante em todas as situações e acompanha-se do desaparecimento progressivo das ereções matinais. Na prática, muitos homens têm as duas componentes ao mesmo tempo, e uma alimenta a outra: uma dificuldade vascular inicial gera receio, e o receio agrava a dificuldade. É por isso que a avaliação inicial vale a pena mesmo quando a pessoa está convencida de que o problema é apenas psicológico. Convirá também distinguir a disfunção erétil de outras queixas que exigem abordagem diferente, como a diminuição do desejo, a ejaculação precoce ou a dor durante a relação.
Que avaliação faz sentido antes de qualquer tratamento
A avaliação começa pela história clínica, a parte mais informativa e a que menos custa. Interessa saber desde quando existe a queixa, se o início foi súbito ou gradual, se é constante ou situacional, se persistem ereções matinais, que doenças crónicas estão diagnosticadas, que medicamentos toma e que hábitos tem quanto a tabaco, álcool e atividade física. O estado de humor e a saúde da relação fazem parte da avaliação e não são um detalhe acessório. Do lado dos exames, o conjunto habitualmente considerado razoável numa primeira abordagem inclui a glicemia em jejum ou hemoglobina glicada, o perfil lipídico e a medição da tensão arterial. O doseamento de testosterona total, colhido de manhã, justifica-se quando existem sinais sugestivos de défice hormonal, como diminuição marcada do desejo, fadiga persistente ou perda de massa muscular. Exames mais específicos, como o ecodoppler peniano, ficam reservados para casos selecionados e são pedidos em consulta presencial de urologia. Este ponto merece franqueza: a avaliação por formulário permite reunir a história clínica e rever análises que o próprio já tenha, mas não substitui o exame físico nem permite pedir exames. Numa primeira queixa sem qualquer estudo prévio, é frequente o médico pedir análises recentes e valores de tensão arterial antes de poder decidir. Quando o quadro exige exame físico, o caminho correto é a consulta presencial. Há ainda sintomas que obrigam a avaliação sem demora, nomeadamente dor torácica ao esforço, falta de ar ou dor nas pernas ao andar. Nesses casos, o problema a tratar não é sexual.
Porque é que estes medicamentos exigem receita e o que está em causa fora disso
Os fármacos mais usados nesta indicação pertencem ao grupo dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5. Atuam sobre o mecanismo vascular descrito acima, potenciando o relaxamento das artérias penianas na presença de estimulação sexual. Não criam desejo nem produzem ereção de forma automática, o que é fonte frequente de mal-entendidos. Em Portugal são medicamentos sujeitos a receita médica, classificação atribuída pelo INFARMED, e a razão da restrição é clínica, não burocrática. A interação com nitratos, usados na angina de peito, e com outros dadores de óxido nítrico pode provocar uma queda tensional grave, potencialmente fatal. Existem interações relevantes com alfabloqueantes e com alguns antifúngicos e antirretrovirais, contraindicações cardiovasculares em doença coronária instável, insuficiência cardíaca descompensada ou enfarte recente, e contraindicações oftalmológicas em quem teve neuropatia ótica isquémica anterior. Nada disto é detetável por quem vende o produto: só se identifica perguntando ao próprio o que toma e o que tem. Não existe, por isso, caminho legal para obter estes medicamentos sem receita em Portugal, nem existe versão de venda livre. Quem promete o contrário opera fora da lei ou vende outra coisa. Estão entre os medicamentos mais falsificados a nível mundial, e as análises a apreensões encontram com frequência doses erradas ou substâncias diferentes das anunciadas. Vários suplementos ditos naturais foram encontrados a conter, sem o declarar, os mesmos princípios ativos sujeitos a receita, expondo o consumidor exatamente às interações que a receita existe para evitar. Acresce o risco de tapar com um comprimido um sinal de doença que ninguém investigou.
O que pode ser feito sem medicamentos
As medidas de estilo de vida têm efeito documentado na função erétil e não são um conselho de consolação. A atividade física regular, sobretudo aeróbica, é a medida com evidência mais consistente em ensaios clínicos e melhora a função endotelial. Deixar de fumar tem benefício vascular claro e atua sobre a mesma causa. A perda de peso em pessoas com excesso ponderal melhora ao mesmo tempo o perfil metabólico e os níveis hormonais. A redução do consumo de álcool e a correção da privação de sono contribuem de forma consistente. O controlo adequado da tensão arterial, da diabetes e do colesterol trata a causa em vez do sintoma. Quando a medicação habitual é suspeita de contribuir para o problema, a discussão com o médico assistente sobre alternativas é o passo indicado, e nunca a suspensão por conta própria. Na componente psicológica, o acompanhamento em psicologia clínica ou em terapia sexual tem resultados sólidos na ansiedade de desempenho, e o envolvimento da parceira ou do parceiro no processo melhora o prognóstico. Existem ainda opções não farmacológicas, como os dispositivos de vácuo, e opções de segunda e terceira linha, incluindo terapêutica intracavernosa e cirurgia, decididas em consulta de urologia e não à distância. Nada disto substitui a avaliação médica, mas também nada disto exige esperar por ela para começar.
Como funciona a avaliação médica na Receita Viva
O nosso modelo é escrito e assíncrono. O utilizador preenche um formulário clínico com a queixa, antecedentes, medicação habitual e hábitos, e pode anexar análises que já tenha. Não existe videochamada nem contacto telefónico, e não há marcação de hora. A avaliação é feita pelo Dr. Damian Wojno, médico inscrito na Ordem dos Médicos da Polónia em Olsztyn, na Polónia, licença profissional 3211301, que analisa a informação por escrito e responde por e-mail. Pode pedir documentação adicional antes de decidir, ou concluir que o caso não é adequado para avaliação à distância. A decisão é clínica e pode ser negativa: preencher o formulário não dá direito a uma receita. Se o médico entender que há indicação para prescrever, o utilizador recebe por e-mail uma receita transfronteiriça em PDF, emitida ao abrigo da Diretiva de Execução 2012/52/UE. Não é uma receita portuguesa: não tem código PIN nem número de utente e não circula no SNS. Na farmácia identifica-se com o documento de identificação: cartão de cidadão, passaporte ou título de residência. Nem todas as farmácias estão familiarizadas com receitas de outro Estado-membro e o farmacêutico pode recusar a dispensa se tiver dúvidas fundamentadas, pelo que convém contactar a farmácia antes de se deslocar. Não emitimos receitas de estupefacientes nem de psicotrópicos: estão excluídos da receita transfronteiriça pelo artigo 11.º, n.º 6, da Diretiva 2011/24/UE. A taxa cobre a avaliação clínica: se o médico recusar por motivos clínicos, o valor é devolvido; se a documentação pedida não for fornecida, a avaliação considera-se realizada e o valor não é devolvido.
Revisão clínica: Dr. Damian Wojno (Ordem dos Médicos da Polónia, secção de Olsztyn, licença profissional n.º 3211301) · Atualizado em · Linhas editoriais · Operador: MEDINOW Sp. z o.o.. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica.