Receita Viva · Consulta de saúde sexual online
Consulta de saúde sexual online: como funciona e o que pode esperar
Uma consulta de saúde sexual online é uma avaliação clínica feita à distância sobre contraceção, sintomas genitais, risco de infeções sexualmente transmissíveis ou dúvidas sobre um método que já usa. Na Receita Viva essa avaliação é feita por escrito: preenche um formulário clínico com o historial, os sintomas e a medicação atual, e o médico analisa essa informação e responde por e-mail. Não há videochamada, não há chamada telefónica e não há marcação de hora. Quem avalia é o Dr. Damian Wojno, médico inscrito na Ordem dos Médicos da Polónia em Olsztyn, na Polónia, com a licença profissional 3211301. O serviço é prestado pela MEDINOW Sp. z o.o., uma sociedade polaca. Isto tem uma consequência prática: se o médico decidir prescrever, a receita chega por e-mail em PDF, como receita transfronteiriça ao abrigo da Diretiva de Execução 2012/52/UE. Não é uma receita portuguesa, não tem código PIN, não usa o número de utente e não passa pelo sistema do SNS. A avaliação pode terminar sem receita. O médico pode concluir que o quadro exige observação presencial, que são necessárias análises ou que o pedido não é clinicamente adequado. Também não vendemos nem enviamos medicamentos. Esta página explica em que casos a via escrita faz sentido, em que casos não faz e o que acontece em cada cenário.
O que a consulta avalia por escrito e o que exige observação
O âmbito de uma avaliação assíncrona é limitado por não haver exame físico, e isso define bem o que se consegue e o que não se consegue avaliar. Resolvem-se razoavelmente bem por formulário: continuidade ou revisão de contraceção hormonal, dúvidas sobre a interação entre contracetivos e outros medicamentos, avaliação de risco depois de uma relação sem proteção, orientação sobre que rastreios de infeções sexualmente transmissíveis fazem sentido e quando os fazer, efeitos indesejados que surgiram com um método em uso e a passagem de um método para outro. Não se resolvem por formulário: qualquer lesão genital que precise de ser observada, dor pélvica aguda, corrimento com febre, suspeita de gravidez ectópica, sangramento abundante, dor testicular aguda ou qualquer quadro que se esteja a agravar. Nestas situações a resposta correta é o encaminhamento para observação presencial, e é essa a resposta que receberá. Perante sinais de urgência, contacte o 112 ou dirija-se a um serviço de urgência em vez de esperar por uma resposta escrita. Há ainda um limite legal. As substâncias estupefacientes e psicotrópicas estão excluídas da receita transfronteiriça pelo artigo 11.º, n.º 6, da Diretiva 2011/24/UE, o que abrange opioides, benzodiazepinas, hipnóticos do grupo Z, estimulantes e a maior parte dos psicofármacos. Se a sua questão envolver, por exemplo, ansiedade tratada com benzodiazepinas, essa parte terá de ser acompanhada por um médico em Portugal.
Como decorre o processo, passo a passo
O primeiro passo é o formulário clínico. Pergunta-se o motivo da consulta, o historial relevante, os medicamentos que toma, alergias conhecidas, antecedentes de trombose ou de enxaqueca com aura, a tensão arterial se a conhecer, se fuma e desde que idade, e detalhes específicos consoante o motivo. As perguntas não são burocracia: são os dados que determinam se um método hormonal combinado é seguro ou está contraindicado no seu caso. O segundo passo é a análise médica. O médico lê o que escreveu e toma uma de três decisões. Pode considerar a informação suficiente e emitir uma orientação escrita, com ou sem prescrição. Pode pedir informação adicional, como um valor de tensão arterial, um resultado de análise ou a fotografia de um relatório anterior. Ou pode concluir que o caso não é possível resolver à distância e explicar porquê e onde deve ser avaliado presencialmente. O terceiro passo é a resposta, que chega por e-mail. Havendo prescrição, o PDF da receita transfronteiriça segue em anexo. Se tiver sido pedida documentação, o processo fica em espera até que a envie, e vale a pena responder, pelas razões explicadas mais abaixo. Para usar o serviço precisa de um documento de identificação válido: cartão de cidadão, passaporte ou título de residência. O número de utente não é usado em nenhum momento do processo e não ter médico de família atribuído não é impedimento.
Contraceção: o que a avaliação escrita resolve e o que não resolve
A contraceção é o motivo mais frequente para uma consulta de saúde sexual à distância e é também aquele em que a avaliação escrita se aplica melhor, porque as decisões assentam sobretudo em critérios de elegibilidade bem definidos e não em exame físico. Existem famílias de métodos com perfis diferentes. Os contracetivos hormonais combinados associam um estrogénio a um progestativo e são os que reúnem mais contraindicações ligadas ao risco cardiovascular: história pessoal de tromboembolismo venoso, enxaqueca com aura, tabagismo a partir de determinada idade, hipertensão não controlada e alguns quadros hepáticos. Os métodos apenas com progestativo, na forma oral, injetável, implante ou sistema intrauterino, contornam parte dessas contraindicações e são a alternativa habitualmente considerada quando o estrogénio está excluído. Os métodos de barreira e os baseados no conhecimento do ciclo têm eficácias típicas distintas e não dependem de prescrição. O que a avaliação online faz é ajudar a perceber em que grupo se enquadra o seu perfil e discutir com o médico o que faz sentido. O que não faz é substituir procedimentos que exigem mãos: colocar um dispositivo intrauterino ou um implante subcutâneo é um ato presencial. Na contraceção de emergência o tempo é determinante e as janelas são distintas: o levonorgestrel é utilizado até 72 horas após a relação desprotegida e o acetato de ulipristal até 120 horas, e ambos devem ser tomados o mais cedo possível dentro dessa janela. Estão disponíveis em farmácia em Portugal sem prescrição médica, pelo que ir diretamente à farmácia é mais rápido do que esperar por uma resposta escrita.
Infeções sexualmente transmissíveis: porque é que o diagnóstico exige teste
Esta é a área em que mais importa ser claro sobre os limites, porque a expectativa habitual não corresponde ao que é clinicamente possível. As infeções sexualmente transmissíveis não se diagnosticam por descrição de sintomas. Clamídia e gonorreia são frequentemente assintomáticas, sobretudo na mulher, e quando dão sintomas estes sobrepõem-se aos de outras causas. Sífilis, VIH e hepatites virais confirmam-se por análise. Um corrimento pode corresponder a candidíase, vaginose bacteriana, tricomoníase ou a uma infeção por clamídia, e a abordagem é diferente em cada caso. Prescrever um antibiótico a partir de uma descrição escrita é tratar às cegas: contribui para a resistência antimicrobiana e corre o risco de deixar por tratar a infeção que existe e de não alertar os parceiros que precisam de ser avaliados. Por isso a resposta honesta é que, perante uma suspeita, o caminho é o teste. Em Portugal pode fazê-lo através do médico de família, num centro de saúde, num centro de aconselhamento e deteção precoce ou num laboratório privado, e nos serviços dedicados há testes gratuitos e anónimos. O que a avaliação escrita pode fazer é o que vem antes e depois do teste: ajudar a decidir que rastreios fazem sentido face à exposição, esclarecer o período de janela de cada teste, porque analisar demasiado cedo dá um resultado falsamente tranquilizador, e ler consigo resultados que já tenha. O tratamento costuma exigir presença, desde logo porque vários esquemas são injetáveis, e implica seguimento e abordagem dos parceiros.
A receita transfronteiriça na farmácia: o que pode acontecer
Havendo prescrição, recebe um PDF por e-mail emitido ao abrigo da Diretiva de Execução 2012/52/UE, que fixa os elementos que uma prescrição emitida noutro Estado-Membro deve conter para poder ser reconhecida, nomeadamente a identificação do doente, a substância ativa, a dosagem, a forma farmacêutica e a identificação, o contacto e a assinatura do médico prescritor. Na farmácia apresenta o PDF, impresso ou no telemóvel, com o documento de identificação. E há aqui um ponto que não deve ser suavizado: a decisão de dispensar é do farmacêutico. O reconhecimento de prescrições de outros Estados-Membros existe no quadro legal europeu, mas o farmacêutico pode recusar se tiver dúvidas legítimas sobre a autenticidade, o conteúdo ou a inteligibilidade do documento, ou se o medicamento não estiver disponível. É uma prerrogativa profissional dele. Nem todas as farmácias em Portugal têm experiência com receitas estrangeiras; se uma recusar, tente noutra. A prescrição é feita pela substância ativa, pelo que pode receber um genérico equivalente. E como não vem do SNS, o medicamento é habitualmente pago na totalidade, sem comparticipação. Para fármacos com comparticipação elevada, ou se precisa de acompanhamento continuado, consultar um médico em Portugal costuma valer mais do que qualquer avaliação pontual à distância. Não vendemos nem enviamos medicamentos. O que pode receber é um documento clínico; o medicamento é sempre adquirido na farmácia.
Quanto cobre a taxa e em que condições há devolução
A taxa cobre a consulta, ou seja, o tempo e o trabalho clínico de analisar a informação que enviou e produzir uma resposta fundamentada. Não é o pagamento de um documento e, por isso, não depende de haver ou não prescrição no fim. Se o médico avaliar o caso e concluir, por motivos clínicos, que não deve prescrever, seja por contraindicação, por necessidade de observação presencial, por a medicação estar excluída da receita transfronteiriça ou por o tratamento não ser adequado ao quadro, a taxa é devolvida. Se o médico pedir documentação ou informação adicional e essa informação não chegar, a situação é diferente: a análise foi feita e a resposta foi dada, o processo ficou por concluir por falta de resposta sua e, nesse caso, a consulta considera-se prestada e não há devolução. É por isso que vale a pena ler o e-mail com atenção e responder ao que é pedido dentro do prazo indicado. Não prometemos devolução em todas as circunstâncias nem garantimos qualquer resultado clínico. Nenhuma decisão está tomada antes de o médico ler o seu caso, e a resposta pode ser uma recusa fundamentada. O que fica comprometido é que a informação que enviar será lida e avaliada por um médico e que receberá uma resposta escrita, seja ela qual for, com a indicação do passo seguinte.
Revisão clínica: Dr. Damian Wojno (Ordem dos Médicos da Polónia, secção de Olsztyn, licença profissional n.º 3211301) · Atualizado em · Linhas editoriais · Operador: MEDINOW Sp. z o.o.. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica.