Receita Viva · Adesivo e anel contracetivo
Adesivo e anel contracetivo: como funcionam e como obter receita
O adesivo contracetivo e o anel vaginal pertencem à mesma família da pílula combinada: libertam um estrogénio e um progestativo que inibem a ovulação. A diferença está na via de administração e no ritmo de utilização. O adesivo cola-se à pele e troca-se uma vez por semana; o anel coloca-se na vagina e permanece três semanas. Para quem tem dificuldade em manter um horário fixo diário, essa diferença conta. Esta página explica como cada método funciona, o que muda em relação à pílula, quem não os deve usar, o que fazer quando um adesivo se descola ou o anel sai, e que sinais obrigam a procurar ajuda presencial. Não vendemos nem dispensamos medicamentos e não substituímos uma observação clínica. Na parte final descrevemos como decorre um pedido de avaliação na Receita Viva: preenche um formulário clínico, o médico analisa por escrito e responde por e-mail. Não há videochamada, chamada telefónica nem marcação de hora. Se considerar adequado prescrever, o médico envia uma receita transfronteiriça em PDF, ao abrigo da Diretiva de Execução 2012/52/UE. A decisão é sempre clínica e pode ser negativa, e na farmácia é o farmacêutico que decide sobre a dispensa.
Como funciona o adesivo contracetivo?
O adesivo é um quadrado fino que adere à pele e liberta continuamente duas hormonas, um estrogénio e um progestativo, absorvidas através da pele para a corrente sanguínea. O mecanismo contracetivo é o mesmo da pílula combinada: inibe a ovulação, altera o muco cervical e modifica o endométrio. O esquema aprovado assenta em adesivos semanais seguidos de um intervalo sem adesivo, durante o qual costuma surgir hemorragia de privação. Os pormenores de aplicação, incluindo as zonas do corpo adequadas, as zonas a evitar, entre elas a mama, a preparação da pele e a alternância de local, constam do folheto informativo aprovado pelo INFARMED para o produto concreto, e é esse documento que deve seguir, não uma regra geral encontrada na internet. Há duas ideias que importa reter. A primeira é que o adesivo foi concebido para resistir ao banho, ao suor e à natação, mas continua a exigir verificação regular, porque um descolamento pode passar despercebido. A segunda é que, em pessoas com peso corporal mais elevado, alguns dados sugerem menor eficácia do adesivo do que de outros métodos combinados. São razões pelas quais a escolha do método deve ser individualizada com um médico, e não decidida apenas pela conveniência do esquema semanal.
E o anel vaginal, em que difere?
O anel vaginal é um anel flexível que a própria pessoa insere na vagina. Liberta as mesmas duas classes hormonais do adesivo e da pílula combinada, em doses baixas absorvidas pela mucosa vaginal. O esquema clássico consiste em manter o anel colocado durante três semanas, seguidas de um intervalo antes de inserir um novo. A posição exata dentro da vagina não afeta a eficácia, desde que o anel esteja confortavelmente colocado e não seja sentido. Não é um método de barreira e não funciona como diafragma: a ação é hormonal e sistémica. Comparado com o adesivo, é discreto, sem qualquer marca visível na pele e sem risco de irritação cutânea. Em contrapartida, exige à-vontade com a manipulação vaginal, o que nem toda a gente tem, e pode associar-se a aumento de corrimento ou, com menor frequência, a desconforto durante a relação sexual. Alguns anéis toleram períodos curtos fora do lugar sem perda de proteção, mas as condições e o tempo máximo variam entre produtos e constam do folheto informativo aprovado pelo INFARMED. É esse documento, e não uma regra geral, que deve orientar a utilização do produto que lhe for prescrito. Se tem dúvidas quanto à inserção, é assunto para conversar com um profissional de saúde, de preferência antes de começar.
Adesivo, anel ou pílula: o que pesar na escolha?
Os três métodos são combinados e têm perfis de eficácia semelhantes quando bem utilizados. A diferença prática está na frequência da ação exigida e no que costuma correr mal em cada caso. A pílula depende de uma toma diária, e o esquecimento é o motivo mais frequente de falha contracetiva. O adesivo depende de uma troca semanal, o que reduz o número de oportunidades para falhar, mas exige vigilância quanto ao descolamento. O anel depende de uma substituição mensal, com o menor número de gestos por ciclo, mas exige conforto com a inserção. Há também situações clínicas que orientam a escolha. Quem tem vómitos ou diarreia frequentes, ou uma doença intestinal que altere a absorção, pode encontrar vantagem numa via que não passa pelo tubo digestivo. Quem tem doença de pele extensa, ou reage mal a adesivos em geral, dificilmente tolerará o adesivo contracetivo. Nenhum destes métodos protege contra infeções sexualmente transmissíveis; para essa proteção é necessário o preservativo. E nenhum deles é preferível em abstrato: falar destas diferenças com um médico é o que permite escolher com base no seu caso, e não apenas na comodidade aparente do esquema.
Quem não deve usar contraceção combinada?
O adesivo e o anel partilham as contraindicações da pílula combinada, porque contêm estrogénio. Antecedentes de trombose venosa profunda, embolia pulmonar, enfarte do miocárdio ou acidente vascular cerebral excluem estes métodos. O mesmo se aplica a trombofilias conhecidas, a doença hepática grave, a cancro da mama atual ou passado e a hipertensão arterial não controlada. A enxaqueca com aura é outra contraindicação relevante e frequentemente subestimada: neste contexto, o estrogénio associa-se a aumento do risco de AVC isquémico, mesmo em pessoas jovens e sem outros fatores de risco. Fumar aumenta o risco cardiovascular associado a estes métodos, e essa combinação é particularmente desaconselhada a partir dos 35 anos. O período pós-parto imediato e a amamentação nas primeiras semanas também exigem cautela e uma escolha diferente. Quando existe contraindicação ao estrogénio, isso não significa ficar sem opções: existem métodos apenas com progestativo e métodos não hormonais que podem ser adequados. É por isto que o formulário pergunta pela sua história pessoal e familiar, pela tensão arterial, pelos hábitos tabágicos e pelo tipo de dores de cabeça que tem. Se nunca usou um método combinado, a avaliação de início exige um valor recente de tensão arterial medida, e sem esse dado o médico pode concluir que é necessária observação presencial. Respostas incompletas impedem uma avaliação segura.
O que fazer se o adesivo se descolar ou o anel sair?
Estas situações acontecem e a conduta correta depende de quanto tempo o método esteve fora do lugar e da fase do ciclo em que isso ocorreu. Como princípio geral, quanto mais curto o intervalo, menor a probabilidade de perda de eficácia; intervalos prolongados, sobretudo junto ao período de pausa, podem exigir contraceção adicional durante alguns dias e, por vezes, ponderar contraceção de emergência. Não indicamos aqui um número de horas, porque os limites variam entre produtos e a instrução vinculativa é a do folheto informativo aprovado para o medicamento que lhe foi prescrito. Vale a pena ler essa secção antes de precisar dela, e não durante o momento de aflição. Os folhetos são explícitos quanto a duas coisas: um adesivo que perdeu aderência não deve ser fixado com fita nem recolado, porque deixa de libertar a dose de forma fiável, e um anel expulso deve ser lavado apenas com água à temperatura indicada antes de qualquer reinserção. Se houve relação sexual desprotegida no intervalo em causa, a avaliação da necessidade de contraceção de emergência não deve esperar dias: a janela conta-se em horas, até 72 horas para o levonorgestrel e até 120 horas para o acetato de ulipristal, e ambos se dispensam sem receita nas farmácias em Portugal. Na dúvida, fale com o farmacêutico no próprio dia.
Como decorre o pedido de receita e quando este canal não serve?
O processo é escrito do princípio ao fim. Preenche um formulário clínico com a sua história, o método que usa ou pretende usar, contraindicações relevantes e medicação atual. Não há videochamada, chamada telefónica nem marcação de hora. O Dr. Damian Wojno, inscrito na Ordem dos Médicos da Polónia em Olsztyn, licença profissional 3211301, analisa as respostas e responde por e-mail. Pode pedir esclarecimentos antes de decidir e pode concluir que não é adequado prescrever à distância. Se decidir prescrever, recebe uma receita transfronteiriça em PDF, emitida ao abrigo da Diretiva de Execução 2012/52/UE. Não é uma receita do SNS: não tem código PIN, não usa o número de utente e identifica-se na farmácia com cartão de cidadão, passaporte ou título de residência. Leve-a impressa sempre que possível. O farmacêutico avalia o documento e decide sobre a dispensa, podendo recusar se tiver dúvidas fundamentadas, pelo que não podemos garantir que seja aviada. Não vendemos medicamentos. O pagamento cobre a consulta, não a emissão do documento: em caso de recusa por motivos clínicos o valor é devolvido, mas se não enviar a documentação ou os esclarecimentos pedidos, a consulta considera-se realizada e a taxa não é devolvida. Este canal não serve para urgências. Perante dor torácica, falta de ar súbita, dor ou inchaço numa perna, alteração da visão ou da fala, contacte o SNS 24 pelo 808 24 24 24 ou dirija-se à urgência.
Revisão clínica: Dr. Damian Wojno (Ordem dos Médicos da Polónia, secção de Olsztyn, licença profissional n.º 3211301) · Atualizado em · Linhas editoriais · Operador: MEDINOW Sp. z o.o.. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica.